terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Testemunho da Eliana Ribeiro

Viver o Carnaval na Canção nova foi um grande presente de Deus pra mim.
Vivi experiências maravilhosas com Jesus, mas o que mais mexeu comigo foi o testemunho da Eliana Ribeiro na segunda-feira.
É incrível como a história de vida dela tem muita coisa parecida com a minha. Não cheguei a fazer tudo o que ela fez, mas me identifico muito com a caminhada dela.
Também aprendi com ela e com seu testemunho a arte de Esperar no Senhor.
Encontrei um resumo do testemunho no site da Canção Nova e coloquei aqui para vc tb poder experimentar desta graça.


O Deus da vitória me resgatou (Eliana Ribeiro)
Eu sei quem me tirou do fundo do abismo e esse Alguém é Jesus Cristo.


"Acorda! Acorda com toda a força, braço do SENHOR! Acorda, como nos tempos passados, acorda, como nas eras antigas. Acaso não és aquele que derrotou o dragão, que venceu o monstro marinho? Acaso não és aquele que secou o mar, as águas imensas do abismo? Não és aquele que fez no mar um caminho para os libertados passarem? Agora voltam os que o SENHOR resgatou e chegam a Sião cantando hinos. Vêm carregando uma alegria sem fim, festa e alegria são a sua bagagem, o medo e a tristeza ficaram para trás. Eu, eu mesmo sou o vosso consolador! E tu, então, para que teres medo de um mortal, de criatura humana, que acaba igual à erva? Tu te esqueces do SENHOR, teu criador, que estendeu o céu e lançou os alicerces da terra. Tu continuas tremendo todo dia, ante a violência de quem te explora, como se ainda fosse capaz de te destruir. Mas, agora, onde está a fúria do opressor? Logo sairá livre aquele que anda cabisbaixo, não há de ir morto para a cova e nunca mais lhe faltará o alimento. Sou eu, o SENHOR teu Deus, aquele que balança o mar e provoca o fragor das ondas. ( Seu nome é SENHOR dos exércitos. ) Coloquei minhas palavras em tua boca e à sombra da minha mão te resguardei, quando ainda estendia o céu, lançava os alicerces da terra e dizia a Sião: 'Tu és o meu povo'" ( Isaías 51, 9-16).

Você que veio com tristeza no coração, hoje pode sair daqui levando fé e alegria. O Senhor recuperou você. Não foi simplesmente uma vinheta de carnaval [que o trouxe aqui], foi o Senhor que foi à sua cidade resgatar você. O Senhor o seduziu e usou da Canção Nova para recuperá-lo. Agradeça ao Senhor por não desistir de você. Todos podem ter desistido, mas o Senhor não desiste de você. Espera n'Ele, pois Ele jamais o deixará.

"Se no abismo está minha alma, sei que ali também me amas. Senhor, eu sei que Tu me sondas [...]" (trecho da música “Sonda-me”).

É preciso reconhecer este amor infinito do Senhor, senão você não aguenta.

Eu nasci à luz de velas. Quando nasci o cordão umbilical estava em volta do meu pescoço, fiquei algum tempo no hospital até que pude sair. Desde meu nascimento, assim como o Senhor tinha feito um plano para mim, o demônio também estava ali querendo roubar a minha vida. Mas como o Senhor é mais forte e sempre esteve comigo.

Quando comecei a estudar o padre ia à escola aplicar a catequese, pois ainda não havia uma igreja em minha cidade e eu comecei a frequentá-la [a catequese]. Meus pais trabalhavam muito e minha infância foi sempre aos cuidados de uma tia. Quando eu tinha 11 anos, por conta de ter começado muito nova na igreja, viram meu desempenho e me deixaram fazer a Primeira Eucaristia com essa idade. Passei a frequentar o grupo de adolescentes e comecei a sair à noite depois dos grupos. Nessas festas “rolava” bebidas. Comecei a chegar tarde em casa e isso começou a causar muita confusão familiar.

Aquilo foi desmontando minha família. Eu brigava muito com minha mãe. Eu nunca gostei muito de cerveja e por isso bebia bebidas mais fortes. Era tanta briga, tanta coisa contra mim que queria aliviar de alguma forma e fazia isso na bebida. Eu tinha “amigos” que bebiam comigo e depois me largavam caída no chão. Meu pai pegava meus irmãos e saía para me procurar, pois eu saía e não voltava, passava à noite na rua.

Minha mãe começou a rezar e a pedir que Nossa Senhora me acompanhasse, pois eles já não estavam conseguindo mais. Quantas vezes eu fui ao hospital tomar glicose... Comecei a ter insônia, fui ao médico e comecei a tomar remédios para dormir. Comecei a fumar e tive uma crise horrível, no hospital disseram que estavam com suspeita de que eu havia adquirido pneumonia. Comecei a misturar bebida e medicamentos. Na escola eu simulava uma tosse para poder tomar o xarope e ficar calma dentro da sala de aula. Isso estava se tornando um vício.

A escola chamou meus pais para dizer que eu estava me envolvendo com drogas e ia acabar repetindo de ano. Foi o que aconteceu. Isso foi uma vergonha para mim. Tudo que eu tinha conquistado estava indo para o lixo. Então, eu disse para mim mesma que eu iria mudar de vida.

Dentro desse tempo minha mãe foi se confessar e disse para o padre que não sabia mais o que fazer. O sacerdote disse-lhe que comprasse uma imagem de Nossa Senhora e a colocasse no meu quarto, para que eu soubesse que tinha uma mãe na terra e uma no céu. Todas as vezes em que eu chegava em casa, bêbada, havia um bilhetinho ao lado da imagem dizendo que meus pais me amavam e Deus também. Meus pais encontraram, na Igreja, a força de que eles precisavam.

Diante dos meus pecados Deus encontrou uma forma de mudar toda minha família, de levar todos para Ele. Eu comecei a melhorar. Até que chegou o carnaval e conheci um rapaz. Acabei me entregando a ele. O rapaz era usuário de drogas e quando a gente saía eu me perdia. Começou tudo de novo.

Então, minha mãe ouviu dizer que na minha cidade ia haver um encontro de jovens e ela queria que eu fosse nesse encontro. Na sexta-feira, que antecedia o encontro, eu pedi que ela me deixasse sair e ela não deixou. Eu disse que ficaria em casa e eles foram para o aniversário de minha avó. Quando eles saíram achei um pouco de vinho, mas como era pouco, peguei o álcool de limpeza e misturei com vinho. Tomei toda aquela garrafa. Comecei a passar muito mal. Senti que algo estava errado, fui até a imagem de Nossa Senhora e comecei a rezar. Nisso, perdi minha visão, caí no chão, comecei a gritar chamar por Jesus porque eu estava morrendo. Consegui chamar uma amiga que me levou para o hospital. Os médicos disseram que eu tinha chegado ao limite.

No outro dia, eu acordei como se nada tivesse acontecido, fui até a cozinha e pedi que minha mãe me levasse para aquele encontro. Eu fiz um propósito de ficar sozinha naquele encontro. Não aguentava mais aquela vida. Na hora do intervalo liguei para aquele meu namorado e ele terminou comigo porque disse que eu era doida. Voltei para o ginásio aborrecida pelo que ele me disse. Antes da Santa Missa, o padre pegou o microfone e disse: "Muitos jovens que estão aqui estão perdidos, mas Deus quer curá-los”. Parece que ele estava falando exatamente o que eu vivia. Continuou dizendo: "Jesus quer revelar no seu coração quem mais o magoou e você irá perdoá-lo, pois a partir daí o Senhor entrará em sua vida".

Chorei muito e comecei a orar em línguas e naquele momento eu tive a imagem dos meus pais. A ausência deles foi o que me afetou, sentia um vazio, era para eles que eu tinha de dar o perdão. Eu disse, na oração, que eu os perdoava e também lhes pedia perdão. O padre pediu que nós abríssemos os olhos e abraçássemos quem estava do nosso lado. Esse abraço iria para aquela pessoa que eu tinha perdoado. Quando olhei para o lado vi meus pais vindo em minha direção. Minha mãe sentiu que deveria ir ao encontro. Precisava ser daquele jeito.

Na terça-feira daquela semana eu fiz alguns exames para ver como estava uma gastrite que eu tinha por conta da bebida e depois dos exames eu soube que tinha sido curada. Depois daquilo eu só queria Deus. Toda semana eu me confessava, pois achava que eu era a pior pessoa do mundo. Comecei a participar da Eucaristia, a ler a Bíblia. Fui retomando minha vida. Como foi importante o acolhimento quando vivi uma experiência com Deus!

Os meus antigos amigos foram se afastando e foram dando lugar aos meus amigos de oração. Entrei na faculdade, fui dar catequese, comecei a cantar e pedi a Nossa Senhora que colocasse um homem de Deus em minha vida. Eu esperei este homem por 7 anos, até chegar à Canção Nova.

Mergulhando em Deus, um dia, eu vim a Aparecida e ouvi uma homilia sobre vocação de vida consagrada em uma comunidade. Isso me tocou. Deus me propôs que eu deixasse tudo e me consagrasse a uma comunidade. Comecei a conhecer a Canção Nova. Em 1999 eu entrei para a comunidade. Só Deus mesmo para fazer algo assim na minha vida.

Conheci o Fábio, começamos a namorar. Como queria que ele conhecesse meus pais fomos passar o Natal com minha família. E no dia 28 eu precisava estar na Canção Nova e meus pais nós trouxeram de carro. O nosso carro capotou. Fui para um hospital, quebrei a bacia, a clavícula, o braço, o punho e o pé. Fiquei toda quebrada. O Fábio também ficou muito machucado. Minha mãe também se machucou muito. Mas meu pai havia falecido. Eu não acreditava, passou um filme na minha cabeça. Pedi força para Deus, pois senão eu não iria aguentar.

Eu iria precisar de oito meses de tratamento e só pedia força para Jesus. As pessoas dos grupos de oração da cidade começavam a me visitar e a rezar comigo. Eu recebia Jesus Eucarístico todos os dias. Era possível sofrer e ainda sorrir. É possível, sim, é a força de Deus em nossas vidas. O Senhor mais uma vez venceu em minha vida. Três meses depois do acidente eu voltei para a Canção Nova, o que era para durar oito meses acabou em três [o tratamento].

O sofrimento existe e entra na nossa vida sem pedir licença. Precisamos deixar que Deus nos cure e aja em nossas vidas. Quem abraça a cruz é mais que vencedor. Estamos juntos nessa luta! Você vai conseguir, porque eu consegui. Olhe tudo pelo que eu passei para estar aqui; você também vai conseguir! Eu posso passar por algum sofrimento, mas a gente tem na bagagem festa e alegria porque nós sabemos de onde Deus nos tirou. Aguente firme! Abra o seu coração.

Trascrição e adaptação: Pollyana Fonseca

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

A distorção da alegria e suas consequências

Carnaval, tempo que para muitos se transformou em liberação total

Precisamos ser alegres; o cristão é alegre. A alegria faz bem para a alma. A Bíblia afirma que “a alegria do coração é a vida do homem, e um inesgotável tesouro de santidade. A alegria do homem torna mais longa a sua vida” (Eclo 30,22-26).

São Francisco de Sales dizia que “um cristão triste é um triste cristão”. A alegria verdadeira brota de um coração puro, que ama a Deus e ao próximo, tem a consciência tranquila e sabe que está nas mãos de Deus.

Mas o mundo confunde alegria com prazer; quando não são a mesma coisa. Prazer é a satisfação do corpo; alegria é a satisfação da alma. Há prazeres justos e até necessários, como o sabor que Deus colocou nos alimentos, o prazer do ato sexual do casal unido pelo matrimônio... Mas há também prazeres injustos, por isso, pecaminosos, quando se busca a satisfação do corpo apenas como um fim: a bebida, o sexo fora ou antes do casamento, as drogas, as aventuras que põem a vida em risco, etc..

Isso acontece quando se abusa da liberdade e se usa mal as coisas boas. Isso tem nome: libertinagem. Por exemplo, pode ser um gesto de alegria beber um copo de vinho com os amigos, mas pode se tornar um gesto de prazer desordenado se houver o abuso da bebida e se chegar à embriaguez. O mal quase sempre é o uso mau, o abuso das coisas boas. Quantos crimes e acidentes acontecem por causa dessas libertinagens!

Está chegando mais um carnaval, tempo que para muitos se transformou em liberação de todos os instintos, busca frenética da “alegria” e do prazer. Mas o prazer ilícito, quando passa, deixa gosto de morte. A distorção da alegria nessa festa pode se transformar em sofrimento para a própria pessoa e para os outros, porque sabemos que “o salário do pecado é a morte” (cf. Rm 6,23). Não pense que você pode ser feliz no pecado; isso é uma ilusão.

A tentação nos oferece o pecado assim como uma maça envenenada, mas caramelada. É mais ou menos como o terrível anzol que o peixe abocanha porque está escondido dentro da isca. Depois de abocanhar a isca, de sentir o “prazer” rápido que ela lhe dá, o peixe sente o gosto da morte no anzol que o fisga.

O mesmo se dá com quem se entrega, no carnaval, aos prazeres da carne: o sexo a qualquer custo, a prática da homossexualidade, o uso das drogas, o abuso da bebida, os gestos de violência... O que tudo isso gera depois? Sabor de morte. Depois que rapidamente tudo isso passa vem o vazio, a tristeza.

Temos visto um espetáculo deprimente nos últimos carnavais; as próprias autoridades, querendo impedir a Aids, acabam fomentando o pecado. Os governos da união e dos estados distribuem amplamente a famigerada “camisinha” para que os foliões brinquem, gozem, mas sem o perigo de se contaminarem. Preserva-se o corpo e mata-se a alma; defende-se o prazer e a orgia e afunda-se a moral; lança-se o povo nos antigos bacanais gregos. No último carnaval vimos até o Presidente da República promovendo um triste espetáculo de distribuir cartelas de camisinhas aos foliões na Marquês de Sapucaí no Rio de Janeiro. Ora, o correto é ensinar os jovens a viver o sexo no lugar certo, no casamento, e não estimulá-los fora de hora.

Será que não temos algo melhor para dar aos nossos jovens e a nosso povo? Quantas crianças são geradas nas relações sexuais que acontecem nos carnavais! O que acontece depois? Algumas dessas podem ser abortadas; outras se tornam filhos de uma mãe que vai criar e educar o filho sozinha. Isso não é justo, porque toda criança que vem a este mundo tem o direito de ter um pai, uma mãe, de um lar, de ser amada e desejada; e não ser apenas o fruto de uma transa tresloucada.

O mal é o abuso daquilo que é bom. Se nós abusamos do bem, se abusamos da comida, da bebida, do sexo fora do casamento, tudo isso se torna um mal e traz suas consequências negativas; isso não é uma alegria autêntica. O sexo dentro do plano de Deus é lindo, mas se o tiramos dentro do plano divino, ele pode ser causa de tristeza, adultério, doenças...

Nos pecados nós encontramos o caminho da morte; nas virtudes encontramos o caminho da paz.

Hoje, 90% dos presos são jovens; os traficantes morrem geralmente com 30 anos no máximo, porque o salário do pecado é a morte. Não pode haver alegria no pecado.

Nossa vida é consequência de nossas escolhas e nossos atos. São Paulo disse claramente aos gálatas: "Não erreis, de Deus não se zomba; porque tudo o que o homem semear, isso também colherá. O que semeia na sua carne, da carne ceifará a corrupção; mas o que semeia no Espírito, do Espírito ceifará a vida eterna" (Gl 6,8).

Quem faz do período carnavalesco uma oportunidade de extravasar os baixos instintos, colherá sem dúvida a tristeza depois. Quem dele se aproveitar para fazer o bem, colherá a alegria. Há um ditado popular que diz assim: "Fazer o bem sem olhar a quem". A verdadeira alegria nasce de fazer o bem; quanto mais bem você faz às pessoas, mais será feliz.

O pecado é perfumado e se apresenta a você na hora da sua fragilidade. Cuidado! Santo Agostinho afirmava: “A sua tristeza são os seus pecados; deixe que a santidade seja sua alegria”. Não basta dizer: deixe a tristeza do pecado e venha viver a alegria das virtudes. Eu lhe dou a receita: Vigie e ore. Os pecados entram pelas janelas da alma, que são os sentidos, então feche os olhos, a boca, as mãos, se você sabe que por eles pode chegar ao pecado.

Os dias de carnaval nos oferecem grandes oportunidades para o pecado, tanto nas ruas, como na televisão, internet e nos clubes. Não é nisso que reside a verdadeira alegria; esta pode ser encontrada no convívio saudável do lar com os filhos, na igreja, na leitura de bons livros e da Palavra de Deus; num tempo mais dedicado à oração, no ouvir uma boa pregação, num gesto de caridade a uma pessoa que precisa de você.

Foto Felipe Aquino